Archive for the 'Movie' Category

12
May
08

The Kite Runner

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Belíssimo filme. Simplesmente sensível na medida exata.
Segue o Torrent: http://www.mininova.org/tor/1296014
Boa Noite e Bom Filme.

11
May
08

The monk bought lunch…

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Fotografia: Tony Lindner

Tenho ouvido um pouco de The Doors every now and then, e, sempre que escuto, noto algo diferente…não é a toa…mas estou falando do disco Soft Parade. Não sei o ano, ou se foi feito antes ou depois “daquele” album deles, mas acho esse album simplesmente genial. Tem um que de “Disco Seventies” absurdo….se quiserem ouvir, segue o torrent:

http://www.mininova.org/tor/93045

When I was back there in seminary school, there was a person there
Who put forth the proposition, that you can petition the lord with prayer
Petition the lord with prayer, petition the lord with prayer
You cannot petition the lord with prayer!
Can you give me sanctuary, I must find a place to hide, a place for me to hide
Can you find me soft asylum, I cant make it anymore, the man is at the door
Peppermint, miniskirts, chocolate candy, champion sax and a girl named sandy
Theres only four ways to get unraveled, one is to sleep and the other is travel, da da
One is a bandit up in the hills, one is to love your neighbor till
His wife gets home
Catacombs, nursery bones, winter women, growing stones
Carrying babies, to the river
Streets and shoes, avenues, leather riders
Selling news, the monk bought lunch
Ha ha, he bought a little, yes, he did, woo!
This is the best part of the trip, this is the trip, the best part
I really like, whatd he say? , yeah!, yeah, right!
Pretty good, huh, huh!, yeah, Im proud to be a part of this number
Successful hills are here to stay, everything must be this way
Gentle streets where people play, welcome to the soft parade
All our lives we sweat and save, building for a shallow grave
Must be something else we say, somehow to defend this place
Everything must be this way, everything must be this way, yeah
The soft parade has now begun, listen to the engines hum
People out to have some fun, a cobra on my left
Leopard on my right, yeah
The deer woman in a silk dress, girls with beads around their necks
Kiss the hunter of the green vest, who has wrestled before
With lions in the night
Out of sight!, the lights are getting brighter
The radio is moaning, calling to the dogs
There are still a few animals, left out in the yard
But its getting harder, to describe sailors, to the underfed
Tropic corridor, tropic treasure
What got us this far, to this mild equator?
We need someone or something new
Something else to get us through, yeah, cmon
Callin on the dogs, callin on the dogs
Oh, its gettin harder, callin on the dogs
Callin in the dogs, callin all the dogs, callin on the gods
You gotta meet me, too late, baby
Slay a few animals, at the crossroads, too late
All in the yard, but its gettin harder, by the crossroads
You gotta meet me, oh, were goin, were goin great
At the edge of town, tropic corridor, tropic treasure
Havin a good time, got to come along, what got us this far
To this mild equator? , outskirts of the city, you and i
We need someone new, somethin new, somethin else to get us through
Better bring your gun, better bring your gun
Tropic corridor, tropic treasure, were gonna ride and have some fun
When all else fails, we can whip the horses eyes
And make them sleep, and cry

Soft Parade – The Doors

27
Apr
08

OK para Blueberry Nights…

Ok, assisti My Blueberry Nights e gostei…mas, só….gostei. Chungking Express ainda é meu predileto…adorei 2046 também, mas por outros motivos….

Continuo ouvindo muitas coisas diferentes e pra quem gosta de coisas diferentes recomendo o excelente Verve Remixed vols. 1, 2 e 3. São músicas de Jazz, cantadas originalmente pelos respectivos artistas mas remixadas por DJs…é genial…Gosto mais do Vol. 2, principalmente a faixa 3, onde tem Sarah Vaughan cantando Whatever Lola Wants com remix do Gotan Project, definitivamente chic & cool.

Segue o Torrent: http://www.mininova.org/tor/280274

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Fotografia: Tony Lindner

Angie, angie, when will those clouds all disappear?
Angie, angie, where will it lead us from here?
With no loving in our souls and no money in our coats
You cant say were satisfied
But angie, angie, you cant say we never tried
Angie, youre beautiful, but aint it time we said good-bye?
Angie, I still love you, remember all those nights we cried?
All the dreams we held so close seemed to all go up in smoke
Let me whisper in your ear:
Angie, angie, where will it lead us from here?
Oh, angie, dont you weep, all your kisses still taste sweet
I hate that sadness in your eyes
But angie, angie, aint it time we said good-bye?
With no loving in our souls and no money in our coats
You cant say were satisfied
But angie, I still love you, baby
Evrywhere I look I see your eyes
There aint a woman that comes close to you
Come on baby, dry your eyes
But angie, angie, aint it good to be alive?
Angie, angie, they cant say we never tried

Rolling Stones – Angie

20
Apr
08

Charlie Wilson’s War e o começo de tudo no Oriente Médio

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Bianca Kleinpaul – 28/02/2008 em O Globo Online

RIO – “Jogos do poder” deveria ser um filme obrigatório nas escolas de Ensino Médio e universidades de qualquer país. Inclusive soa mais interessante dentro de uma aula de História do que de um cinema. O longa, que estréia este fim de semana no Brasil ao lado de outras sete produções , reúne dois dos maiores cachês de Hollywood, Tom Hanks e Julia Roberts, para contar como os Estados Unidos ajudaram a armar rebeldes do Afeganistão durante a invasão soviética do país, nos anos 1980. As conseqüências todos sabem e viram na TV no dia 11 de setembro de 2001. E o mundo continua assistindo fatos se repetirem no Iraque, guardadas suas devidas diferenças do interesse americano.
Mande sua crítica do filme “Jogos do poder”

O filme altamente politizado soa como um recado dos dois astros do cinema ao governo George W. Bush. De nada serve financiar a compra de armas para um povo e não apoiar a reconstrução do país arrasado pela guerra. Uma frase no final de “Jogos do poder” sintetiza a mensagem: “Acertamos nos fatos históricos, mas fizemos merda no finalzinho”, resumiu o ex-congressista americano Charlie Wilson.

É ele quem dá nome ao longa no original, “Charlie Wilson’s war”. Sua história (“inacreditavelmente real”, destaca o cartaz do filme) foi publicada no livro de mesmo nome, em 1993, pelo jornalista George Crile. Tom Hanks e o produtor Gary Goetzman compraram os direitos autorais e chamaram o roteirista Aaron Sorkin, criador da série de TV “The West Wing”. O recheio do bolo veio com a direção de Mike Nichols, que lançou Dustin Hoffman em “A primeira noite de um homem” e se projetou para um público maior recentemente com “Closer – Perto demais”, com a própria Julia Roberts, além de Natalie Portman, Jude Law e Clive Owen.

A equipe ainda teve o auxílio luxuoso de Philip Seymour Hoffman (vencedor do Oscar por “Capote”). Ele vive o agente da CIA (o único falecido entre os protagonistas das negociações) Gust Avrakotos que, ao lado de Charlie Wilson, viaja pelo mundo para formar uma ímpar aliança entre paquistaneses, israelenses, egípcios, congressistas americanos e uma curiosa dançarina do ventre. Os diálogos de Hoffman rendem as melhores cenas do filme. Não à toa, ele foi a única indicação de “Jogos do poder” ao Oscar.

Julia Roberts, que volta à tela depois de “12 homens e um outro segredo” e o nascimento de seus gêmeos em 2004, vive uma das mulheres mais ricas do Texas, que ajuda Wilson a arrecadar dinheiro para os afegãos. É nas aparições da atriz – indicada ao Globo de Ouro – que vemos o quão delicada é a relação dinheiro, poder e religião tanto no Ocidente como no mundo oriental.

Tom Hanks também tem atuação brilhante na pele do político de caráter tão duvidoso quanto nossos congressistas brasileiros. Enquanto negocia alianças que vão mudar o rumo da política internacional de seu país, ele se vê às voltas com denúncias nada vazias sobre seu envolvimento com drogas e strippers.

Segue a dica. Segue o Torrent: http://www.mininova.org/tor/1296172
Boa noite e bom filme.

Pra quem gostar ou estiver interessado seguem mais 2 filmes muito interessantes.

O primeiro é Lions for Lambs, consequentemente uma continuação à Charlie Wilson’s war, já que mostra o hoje em dia na guerra no Oriente Médio, com Robert redford ( também dirigiu o filme), Tom Cruise e Meryl Streep. O segundo, é simplesmente uma crônica bem sacada à história dos EUA de lidar com problemas internos em sua política, criando e destruindo mitos: Wag the Dog, com Robert de Niro e Dustin hoffman, numa comédia sensacional. Seguem torrents:

Lions for Lambs – http://www.mininova.org/tor/1196879
Wag the Dog – http://www.mininova.org/tor/615305

10
Apr
08

Blueberry Nights…

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Por Rodrigo Fonseca, O Globo, 08/ 04/ 2008

“Jude Law, Norah Jones e Wong Kar Wai falam de ‘Beijo roubado’

Sempre escondidos sob as escuras e grossas lentes de um ray-ban fora de moda, os olhos puxados de Wong Kar Wai enxergam em seu “Um beijo roubado” (“My blueberry nights”), que estréia nesta sexta-feira no Brasil, um ensaio sobre “distâncias”. Ele destaca, em especial, as que circundam Elizabeth, personagem confiada à cantora Norah Jones, que, cansada de desilusões amorosas, cai na estrada. Mas é difícil não sentir um “Já passei por isso!”, ouvindo as histórias de amores finados na trama.

— Às vezes, a distância física entre duas pessoas pode ser ínfima, mas o abismo emocional entre elas só pode ser medido em quilômetros — disse o chinês Wong Kar Wai ao GLOBO, no Festival de Cannes 2007, onde o longa-metragem disputou a Palma de Ouro. — “Um beijo roubado” é uma forma de explorar distâncias amorosas sob vários ângulos, para compreender os caminhos possíveis para superá-las.

Consagrado por longas como “Amor à flor da pele” e “2046”, Wong Kar Wai buscou açucarar “Um beijo roubado” (veja o trailer) com a doçura sem exageros do mirtilo, tradução para blueberry, a frutinha que dá título original ao projeto. Orçada em US$ 10 milhões, a produção se baseia em curta-metragem de seis minutos dirigido pelo próprio realizador. Desde o começo, a idéia era explorar o carisma desfrutado por Norah no mercado fonográfico, à força das 20 milhões de cópias vendidas do CD “Come way with me”. Mesmo sendo uma estreante, com zero de experiência em filmagens, ela emprestou ao diretor uma inocência de que ele carecia.

Jude Law e Norah Jones em cena de ‘Um beijo roubado’

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Eu nunca tive planos de trabalhar com cinema. No dia em que Wong Kar Wai telefonou pra mim, eu pensei: “Ah, que mal pode haver em almoçar com ele? Deve ser um pedido para a trilha sonora de algum um novo filme dele”. Eu adorava “Amor à flor da pele”. Por que não ir? — disse Norah, após a sessão de imprensa na competição de Cannes.

No roteiro de “Um beijo roubado”, assinado por Wong Kar Wai e pelo prestigiado autor de romances policiais Lawrence Block (de “O ladrão que estudava Espinosa”), Elizabeth (Norah) cruza o caminho de tipos interpretados por Jude Law, Rachel Weisz, David Strathairn e uma Natalie Portman malandrona. Cada um deles é diplomado na escola do abandono. E todos têm a tarefa de dar à protagonista lições sobre como atravessar a rota da solidão sem tropeçar nos entulhos do abandono. De todos os nomes no estrelado elenco, Law assume o papel que mais arranca suspiros das platéias femininas.

— Filmar com Wong Kar Wai é um espaço aberto para um tipo de improviso que transcende os modelos de interpretação a que estamos habituados nas telas — elogiou Law.

No filme, o ator inglês interpreta Jeremy, o dono de um restaurante onde Elizabeth come deliciosas tortas, incluindo uma de mirtilo. Em um pote, ele coleciona souvenirs de corações partidos: chaves deixadas no balcão por casais que se separaram. Ele mesmo foi chutado de sua última love story. Seu jeitão de abandonado é um analgésico para os males românticos da confusa mocinha de Wong Kar Wai.

— A atuação de Norah é forte o suficiente para que ela seja encarada como atriz e não apenas como uma cantora — afirmou o diretor, que considera o longa a sua segunda estréia. — Eu disse muitas vezes a Norah: “Este também é meu primeiro filme. Não se esqueça de que é a primeira vez que eu filmo em língua inglesa”. Filmes americanos assinados por diretores chineses sempre incorrem em estereótipos. Eu recorria todo o tempo à experiência pessoal dos atores para fugir disso.”

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Bem, não posso falar muito, pois não vi o filme, mas como já tinha ressaltado em outra coluna, eu e o Jabor gostamos muito do Wong Kar Wai, por isso, acho que, pelo menos, vale dar uma olhadinha, até pra saber se Hollywood mudou Wong ou se ele está botando novamente a sua genialidade em dia.

Boa noite e espero, bom filme.

Eu já estou baixando.

Segue o Torrent: http://www.mininova.org/tor/1178361

08
Apr
08

Eu, Glauber Rocha, sou inexplicável

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Arnaldo Jabor, O Globo, 09/04/2008

Eu, Glauber Rocha, sou inexplicável

O cinema mudou e os espectadores também

“Eu morri com 42 anos e odeio ser chamado de clássico, mito, retrato de antologia; vão todos para a ‘p.q.p.’! Ficam me definindo como um estranho no ninho, um fóssil da velha geração dos anos 60. E abrem polêmicas para saber se eu era um gênio ou uma besta. Nesta adulação ou nesses esculachos post-mor tem, querem provar que não haveria lugar para mim neste mundo pós-moderno. Talvez seja verdade, pois eu sou inexplicável à luz de hoje.

Eu vivi num claro instante, uns segundos antes do Big Bang do Brasil atual. Previ quase tudo que ia acontecer. É difícil explicar, mas eu trouxe a trama da complexidade contra os dualismos fáceis. Eu trouxe a dúvida para as certezas, o choque dos contrários, a ruptura de linguagem para a política e para a poesia.

Eu fui o primeiro a apontar as razões da derrota em 64, por conta de nossa ingenuidade e onipotência ideológicas. Quando falei, um dia, que o Golbery era o gênio da raça, eu estava tentando o saudável sacrilégio de imaginar uma adesão de militares para a abertura que surgia com o Geisel, para além do beco sem saída masoquista das esquerdas. Só faltaram me empalar como ‘reacionário’, ‘adesista’, porque eu buscava uma saída para a ditadura e o subdesenvolvimento.

Quando fiz ‘Deus e Diabo”, eu trouxe a melhor tradição do grande teatro e do cinema para o país: Brecht e Eisenstein. Eu gravei nas telas ‘Os sertões’ de Euclides da Cunha, com seus cangaceiros e fanáticos, eu filmei por Guimarães Rosa e Graciliano, eu acabei com o realismo de tipos simplificados. Em meus filmes, como ‘Deus e Diabo’, as personagens do bem e do mal se interpenetravam. Corisco queria acabar com a miséria do mundo e matava para ‘não deixar pobre morrer de fome’; Antonio das Mortes era shakespeariano, em crise com o destino que o levava a massacrar beatos e cangaceiros, assim como o Santo Sebastião, meu Antonio Conselheiro, sacrificava crianças, sonhando com um sertão que iria virar mar. O bem e o mal misturados na miséria das caatingas e da mentalidade política.

Com essas idéias, não era possível usar a linguagem careta de ‘princípio, meio e fim’ de Hollywood. Não se explica o novo com uma língua velha. Foi então que eu furei várias vezes a estrutura do cinema internacional. Uma delas foi na arena seca que eu instalei na caatinga, na segunda parte de ‘Deus e Diabo’: uma laje de pedra onde se moviam o amor, a morte, o véu de noiva, as mulheres se amando, o violeiro cego, cactus e sol, o choro de Villa-Lobos, beijos e punhaladas, sexo e castração, tudo ao mesmo tempo, orquestrado numa espécie de palco transcendental, contra a ‘decupagem’ do filme americano.

Depois, em ‘Terra em transe’, eu mostrei que as desgraças brasileiras estão além da mera luta de classes. Provei que nossa tradição colonial e oligárquica é que corrói o país, com seus políticos espalhando a gosma da cobiça e da estupidez. Ali, no clímax da zona geral, o povo dança entre ladrões, demagogos, polícia, Igreja, bacharéis, prostitutas, todos num emaranhado barroco, que culmina com o Jardel Filho tapando a boca de um pelego e falando para a tela: “Vocês já imaginaram (esse sindicalista) Jerônimo no poder?”. Foi a maior porrada na sociologia simplista dos derrotados de 64, o que me valeu o ódio daqueles que vêem os pobres como uma divindade sagrada e não como destituídos e manipulados. Hoje, o Brasil está parecidíssimo com ‘Terra em transe’. Este populismo sindicalista eu previ em 67 — vai jogar fora a chance de melhorar o país, para atender a fome de poder dos pelegos ignorantes que querem se eternizar no Estado.

Hoje, morto, posso me elogiar sem vitupério — saibam que eu mexi na linguagem do cinema mundial. Quando ganhei Cannes como melhor diretor, em 69, com o ‘Dragão da maldade’, o Visconti deu uma festa em minha homenagem, dentro da grã-finagem intelectual européia. Eu fiquei aterrorizado naquela noite, pois percebi que eu não queria aquele sucesso. Eu ia ser o quê? Um bacaninha tropical, comendo starlets, fumando charuto, casa com piscina? Eu queria muito mais — queria um terremoto, cheio de som e fúria, com tragédias e apoteoses, eu queria uma revolução que esmagasse a mediocridade.

Mas a política e a poesia foram demais para um homem só. Fui para a África, a Espanha, em busca de um filme ‘essencial’, que mudasse a vida, como dizia Rimbaud. Fui para os USA, fiquei num bordel na beira da ferrovia e sujei meu prestígio com os executivos de Hollywood que me davam roteiros caretas. Fui para a URSS e odiei os burocratas cheios de vodca, fedendo à banha de urso. Fui para Cuba e desprezei os fidelistas que me achavam muy liberal, porque eu fumava maconha e comia as compañeras.

Foi então que eu comecei a enlouquecer. Para mim, não havia futuro. Eu não agüentaria a sopa fria de hoje, o mercado, a malandragem molenga da sacanagem e da grana. E fui piorando, sozinho, sem dinheiro, filmando mal e sem rumo minha loucura.

É necessário dizer isso: morri louco, desesperado, implorando dinheiro à Embrafilme, com a septicemia de uma pericardite mal curada em Portugal, tentando juntar as pontas do sonho sebastianista com o Nordeste miserável e até misticismo. Faltou-me terra, faltoume o cotidiano, faltou-me estômago.

No final, em Portugal, na úmida Sintra, eu já não comia mais, vivia escrevendo nu, pela noite adentro, cheio de recortes de jornais brasileiros, que eu tentava organizar como um quebra-cabeça que desse sentido a nosso enigma. Passeava até o cais de onde partiram as caravelas, em Lisboa, olhando em direção ao Brasil. Descobri, aterrorizado, que eu era uma personagem de mim mesmo. Eu não existia mais, eu era uma metáfora incompreensível que morava dentro da arte.

E, então, eu morri, cheio de tubos, naquela cama de hospital no Rio, olhando meu amigos em contre plongé: o Barretão, o Cacá, o Mascarenhas, o Gustavo Dahl, até a besta do Jabor, todos tentando me segurar como um barco que vai partir; mas eu rompi as amarras e fui”.

Arnaldo Jabor

02
Apr
08

All About Everything !!!

All About Eve

All About Eve, actually, says all about everything….is a great movie, with an astonishing cast, and, of course, is an astonishing movie.

E, por favor, não esqueçamos, que é totalmente atual.

Boa Noite e bom filme.

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Margo Channing: So many people know me. I wish I did. I wish someone would tell me about me.
Karen Richards: You’re Margo, just Margo.
Margo Channing: And what is that? Beside something spelled out in light bulbs, I mean, besides something called a temperament, wich consists mostly of swooping about on a broomstick and screaming at the top of my voice. Enfants behaves The way I do, you know? They carry on and misbehave, they’ll get drunk if they knew how…When they can’t have what they want. When they feel unwanted or insecure or….unloved.

Segue o torrent:

http://www.mininova.org/det/986997




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